Paróquia

cated_gr.png

Em 7 de dezembro de 1744, Jerônimo de Ornellas recebeu, por Carta Régia, a confirmação de posse das terras que já ocupava com criação de gado. A sede de sua propriedade estava no Morro Sant’Ana, mas algumas famílias residiam à beira do Rio Guaíba, na ponta depois conhecida como da Cadeia ou do Gasômetro. Foram elas que por ali construíram uma capelinha que dedicaram a São Francisco das Chagas. Essa capela foi estruturada como Curato em 1747.

Em janeiro de 1752 chegaram aí 60 casais com seus dependentes, num total de cerca de 300 pessoas, oriundas dos Açores, que foram encaminhadas ao Morro Sant’Ana, mas rejeitaram o local e se fixaram junto ao porto, na Ponta. A aglomeração passou a ser chamada Porto dos Casais. Mais para o fim do mesmo ano, chegou novo grupo de açorianos e mais cerca de sessenta militares; com estes, um Capelão Militar, o carmelita Frei Faustino Antônio de Santo Alberto e Silva, que, conforme provisão de 25 de março de 1753, lhes devia dar atendimento espiritual. Em 1755, porém, ele é transferido para Triunfo, e os fiéis voltam a ser atendidos pela Paróquia de Viamão.

Em 1763 a Vila do Rio Grande passou para o domínio espanhol e a Capital da Província foi transferida para Viamão; muitos dos moradores de origem lusa migraram do Rio Grande para o Porto dos Casais, engrossando a população. Só em 1772, porém, os lotes rurais foram formalmente atribuídos aos colonos já assentados e reservada uma área, a da península, para núcleo urbano.

Também em 1772, a 26 de março, foi criada, a partir do antigo Curato, a Freguesia de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais, sendo nomeado seu primeiro Pároco, José Gomes de Faria. Em 18 de janeiro de 1773, o titular da Paróquia ou Freguesia foi alterado pelo Bispo do Rio de Janeiro, então com jurisdição até o Sul: passou a ser Nossa Senhora Madre de Deus. Embora esse título fosse reconhecido para Santa Maria desde o século V, somente em Portugal, por especial permissão do Papa, a partir do século XVI, havia uma festa litúrgica da Mãe de Deus, só em 1931 estendida a toda a Igreja Latina. A mudança do orago, assim, foi tipicamente portuguesa. No mesmo ano de 1773, a Capital foi novamente transferida de Viamão para o Porto dos Casais.

Já em 12 de julho de 1772, o vice-rei no Brasil mandou que se demarcasse uma área destinada à construção de nova igreja, pois a capelinha da praia não mais correspondia às necessidades. O local escolhido foi a crista da colina. A área foi desapropriada. A seu lado seria construída a sede do Governo da Província; ambos os prédios ficariam diante de uma Praça. A construção iniciou em 1780 e em 1793 o templo estava pronto, mas sem as torres ainda.

Algumas Irmandades foram surgindo na Paróquia, como as do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Rosário, do Espírito Santo, de São Miguel e Almas, que celebravam suas devoções na Matriz e a da Santa Casa de Misericórdia.

Em 1832 o território de Porto Alegre, que pertencia integralmente à paróquia da Madre de Deus, foi desmembrado mediante a criação das paróquias de Nossa Senhora das Dores e de Nossa Senhora do Rosário, as quais, entretanto, só foram instaladas muitos anos mais tarde.

Em 1848, a sete de maio, foi criada a Diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul. A Bula de criação designou como Catedral (provisória...) a Igreja Paroquial da Madre de Deus.

Com o crescimento da cidade, evidenciou-se a exiguidade da construção colonial, e na gestão do Bispo Dom João Becker foi iniciada, em 1921, a construção de um novo templo. Nos anos de 1930, a Liturgia era celebrada na Cripta e em 1948 passou a ser utilizado o espaço principal, embora ainda não concluído. Em 1957 foi dedicado um altar com sacrário no fundo da ábside. Em 1967 um altar provisório passou a ser utilizado, centrado em baixo da cúpula, como previsto no projeto original. Na gestão do Arcebispo Cláudio Colling o espaço recebeu acabamentos, sendo concluído em 10 de agosto de 1986. A dedicação de um novo altar, no local originalmente previsto, ocorreu em 10 de agosto de 2008.

A antiga Matriz

Com a transferência da capital do estado de Viamão para o Porto dos Casais, patenteou-se a necessidade de se construir uma nova igreja, com dimensões correspondentes ao novo status da cidade. Em 12 de julho de 1772, o vice-rei mandou que se demarcasse um terreno para a construção.

O projeto, em estilo barroco, com um corpo de três aberturas ladeado de dois campanários, veio pronto do Rio de Janeiro em 1774, sendo desconhecido o seu autor. Em junho deste ano as primeiras providências para a construção foram tomadas pela Confraria do Santíssimo Sacramento e pela Irmandade de Nossa Senhora da Madre de Deus, ambas dirigidas pelo padre Faria e pelo governador Marcelino de Figueiredo. As obras só se iniciaram efetivamente em fins de 1779.

O corpo da igreja estava concluído em 1794, mas em 1820, como relatou Saint-Hilaire, as torres ainda estavam inacabadas. Tal estado de incompletude perdurou até a administração do Conde de Caxias, que mandou, em 1846, terminar a torre esquerda, rebocar o externo e consertar o telhado que já se estava arruinando. Desde 1841, a Irmandade do Santíssimo Sacramento, mesmo com o templo inacabado, já se queixava de suas dimensões acanhadas e condições degradadas, desejando erguer outra igreja maior. A 7 de maio de 1848, o Papa Pio IX, pela bula Ad Oves Dominicas Rite Pascendas, criou a diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul, designando na mesma Bula como catedral provisória a igreja Matriz de Nossa Senhora Madre de Deus.

A idéia de uma nova construção foi acalentada pelos bispos da época, mas somente com Dom João Becker iniciou-se o estudo para a substituição da velha Matriz.[1] A partir de 1915 foi lançado um concurso para escolha da nova planta, onde foram premiados os desenhos de Theo Wiedersphan e Johan Ole Baade, tendo como vencedor o do arquiteto Jesús Maria Corona, que elaborou um projeto para uma vasta catedral neogótica com cinco naves e torres de 72 m de altura, com uma cripta em estilo manuelino. O projeto encontrou críticas de todos os lados, especialmente da Escola de Engenharia, o que levou ao seu abandono. O fato de seu autor ter fama de anarquista também não ajudou. Os outros dois premiados, Wiederspahn e Baade, eram ambos protestantes, o que pode ter gerado resistências dentro da Igreja Católica. Assim, nenhum era aproveitável, e o Arcebispo remeteu os projetos para Roma e solicitou ao arquiteto da Cúria Romana, Giovanni Battista Giovenale, que procedesse a uma revisão. Giovenalle era um respeitado arquiteto, então professor da Academia de Belas Artes São Lucas de Roma, além de membro da Comissão de Arte Sacra da Basílica de São Pedro. Apesar de o crédito pela obra ter ficado com Giovenalle, Günter Weimer afirma que sua revisão foi sumária, usando largamente o projeto apresentado por Wiederspahn e entregando a maior parte do trabalho técnico para o tcheco Josef Hruby

 

A Catedral de hoje

 

Em 3 de maio de 1920 foram iniciadas as obras de terraplanagem e demolição da Matriz, e a pedra fundamental do novo templo foi lançada a 7 de agosto de 1921. As obras foram coordenadas pelo cura da Sé João Maria Balem, sendo a cripta inaugurada em 20 de março de 1929, para onde foram transferidos os serviços religiosos, possibilitando a demolição final da velha construção e a continuidade das novas obras.

Somente cerca de vinte anos depois é que as celebrações puderam deixar a cripta e serem realizadas na nave da catedral, já sob administração de Dom Vicente Scherer. A completude das torres levou outros vinte anos, inauguradas em 1971, sendo que a cúpula foi terminada no ano seguinte. Foi apenas em 1986, já no arcebispado de Dom Cláudio Colling, que a catedral pôde ser consagrada e dada como concluída, embora recentemente a cúpula tenha sido reformada, recebendo uma cobertura de bronze.

Conservando no desenho geral da fachada a simplicidade e firmeza das linhas que caracterizam a arte da primeira Renascença, foi criado um movimento mais dinâmico pelo contraste dos três corpos salientes (frontispício e torres) com intervalos na altura dos terraços sobre as naves laterais, e dando-lhe também profundidade e claro-escuro, graças aos grandes vãos do pórtico. A cúpula possui 65 metros de altura do nível da praça, com um diâmetro interno de quase 18 metros.

 

Na fachada se destacam os mosaicos do frontispício, executados pela Academia de Mosaicos do Vaticano, representando a história da Igreja no estado. Mostram a Padroeira Maria, a Mãe de Deus, ao centro, ladeada por São Francisco de Assis, o antigo orago, e os mártires jesuítas Roque Gonzales de Santa Cruz, Afonso Rodrigues e Juan del Castillo. Do outro lado estão São Pedro, Padroeiro do Rio Grande do Sul, o Papa Pio IX, criador da diocese, e Santa Teresa de Ávila, protetora da fortaleza que existia no extremo sul do estado. Painéis laterais representam as cenas da Anunciação e da Crucificação, tendo o Pantocrator acima, no tímpano.

O interior possui uma notável majestade e elegância de proporções, e sua arquitetura forma atraentes padrões geométricos, intensificados pelos efeitos de iluminação interna. O altar-mor possui uma bela estátua barroca da Virgem com o Menino Jesus aos braços, entronizada contra uma pintura mural de Aldo Locatelli. Nos braços do cruzeiro foram instalados dois enormes vitrais, um representando São Miguel, e outro Santa Teresa.

A diferença de nível entre a Praça Marechal Deodoro e o pátio superior do antigo seminário, que fica atrás, sendo cerca de oito metros, permitiu a construção de uma grande cripta. Idealizando sua parte externa, Giovenale utilizou elementos decorativos arcaicos, semelhantes a alguns empregados nas antigas edificações dos incas do Peru, revestindo as paredes com enormes pedras de granito rústico e coroando o conjunto com oito gigantescas carrancas de índios.

Em 2009 a Catedral e o prédio anexo da Cúria Metropolitana foram tombados pela prefeitura de Porto Alegre.

Atualmente está sendo desenvolvido o projeto da construção de um novo Presbitério em estilo Moderno que infelizmente irá desfigurar o projeto original da Catedral que é uma das mais bem preservadas do País. Além de contrastante com a arquitetura original, o novo presbitério acabará com a harmonia arquitetônica do templo devido ao contraste entre os estilos moderno e neoclássico. Está em processo um abaixo-assinado em nome da comunidade católica porto-alegrense a ser encaminhado a Cúria Metropolitana visando impedir que o clero danifique este grande e belo patrimônio histórico que pertence ao povo gaúcho.

Os limites territoriais da paróquia

mapa.jpg
1137px-Google_Maps_Logo_2020.svg.png
logo_cated.png